Um silhuetista nos 100 anos de Mémé: o privilégio de uma festa de família
Há trinta anos que o meu dia a dia são sobretudo eventos empresariais: lançamentos de produto, galas, feiras profissionais, festas de grandes marcas. Um mundo onde tudo acontece entre dois discursos e um cocktail.
Em outubro de 2026, uma família chamou-me para algo muito diferente: os 100 anos de Mémé, num jardim do vale do Loir, no coração de França.
Longe dos eventos empresariais
Numa noite empresarial, os convidados são colegas, clientes, parceiros. Aqui havia avós, filhos, netos, amigos de uma vida inteira. Várias gerações reunidas à volta de uma só pessoa, para um aniversário que muito poucas famílias têm a sorte de celebrar.
Para quem passa a vida de evento em evento, é uma raridade. Não é frequente trabalhar num centenário. E não se sente o mesmo que no meio de um lançamento de produto: o ritmo é mais calmo, os risos mais familiares, e cada retrato acaba numa casa e não na secretária de um escritório.
Cem anos
Uma festa como esta pertence a quem a vive. Eu só levei a minha tesoura.
Mas no caminho de regresso a Barcelona, um número não me largou: cem. Cem anos são um século de manhãs, de estações, de rostos que passam. Raramente pensamos nisso. E damos por nós a pensar que, aos sessenta, já nos sentimos por vezes cansados, enquanto ela, naquela noite, fazia cem, rodeada dos seus.
Talvez seja isso que se traz de uma noite assim: não mais uma silhueta, mas outra medida do tempo.
«Queria agradecer-te pela tua atuação, que encantou e deixou maravilhados todos os nossos convidados.»
— Christophe, que organizou a festa
Original em francês: « Je souhaitais te remercier pour ta prestation qui a ravi et épaté tous nos invités. »
Fotografias: Guigsart.


