Igor Kucinic a mostrar a um convidado o retrato em silhueta terminado
A Técnica

Uma forte semelhança, obtida em menos de dois minutos

A pergunta que mais me fazem, antes de cada evento, é sempre a mesma: "como consegue uma semelhança tão precisa tão depressa?". A resposta é menos mágica do que parece: trinta anos a repetir o mesmo gesto.

O que realmente observo

Não olho para o rosto inteiro — olho para a linha. A testa, a curva do nariz, a posição do queixo em relação ao pescoço: são estes poucos pontos que definem um perfil reconhecível, muito mais do que os pormenores que um retrato frontal exigiria.

É o mesmo princípio que tornava a silhueta tão comum no século XVIII, antes da fotografia: bastavam alguns traços essenciais, recortados com precisão, para obter uma semelhança que qualquer pessoa reconhecia de imediato — sem cor, sombreados ou detalhes supérfluos.

Cada perfil pede-me que repare em algo diferente: a inclinação da testa, a linha do nariz ou o carácter do queixo. São estas pequenas decisões que transformam um contorno preto numa pessoa reconhecível.

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